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Migração de TDM para SoftSwitch IP: guia para operadoras

Links E1 e centrais TDM estão ficando para trás. Veja como migrar para SoftSwitch IP com gateways, SIP-I e sem interromper a operação.

SipPulse - Equipe Técnica5 de novembro de 20256 min de leitura
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Migração de TDM para SoftSwitch IP: guia para operadoras

A telefonia TDM (Time Division Multiplexing) não vai desaparecer da noite para o dia, mas o caminho de saída está claro. Links E1, centrais classe 5 legadas e comutação por circuitos estão sendo substituídos por SoftSwitches IP, trunking SIP e comutação por pacotes. A questão para operadoras que ainda operam TDM não é "se" vão migrar, mas "como" migrar sem interromper a operação e sem perder receita durante a transição. Este post detalha as fases da migração de TDM para SoftSwitch IP, os componentes de transição e as armadilhas que você precisa evitar.

TDM vs IP: o que muda na prática

Na telefonia TDM, cada chamada ocupa um canal dedicado de 64 kbps em um link E1 (30 canais de voz + 2 de sinalização, totalizando 2 Mbps). A comutação é por circuitos: o canal é reservado do início ao fim da chamada, esteja o usuário falando ou em silêncio. A sinalização usa protocolos como ISDN (Q.931) ou SS7 (ISUP).

Na telefonia IP, a voz é digitalizada, comprimida em codecs (G.711, G.729, Opus) e transmitida como pacotes sobre a rede IP. Não há canal dedicado; os pacotes compartilham a rede com todo o resto do tráfego. A sinalização usa SIP. A comutação é por pacotes: o SoftSwitch decide a rota e encaminha a sinalização; a mídia (RTP) vai diretamente entre os endpoints (ou via Media Server quando necessário).

As vantagens da migração para IP são conhecidas: menor custo de infraestrutura (não precisa de hardware TDM dedicado), maior flexibilidade de roteamento (LCR, série, balanceado), billing integrado, compliance regulatório automatizado (DETRAF, DETRAT) e escalabilidade sem comprar mais links E1.

O papel dos media gateways

O componente que viabiliza a migração sem big-bang é o media gateway. Ele faz a conversão entre TDM e IP: recebe chamadas em E1/ISDN de um lado e entrega em SIP/RTP do outro (e vice-versa).

Durante o período de coexistência, o media gateway permite que a rede TDM legada e a rede IP nova funcionem juntas. Assinantes que ainda estão no mundo TDM (centrais analógicas, linhas ISDN) se conectam ao media gateway, que converte a sinalização para SIP e entrega ao SoftSwitch. O SoftSwitch roteia a chamada normalmente, como se ela tivesse se originado em SIP.

Os media gateways variam em capacidade, desde modelos com 1-2 portas E1 (30-60 canais) até chassis com dezenas de E1 (milhares de canais). A escolha depende do volume de tráfego TDM que a operadora ainda precisa suportar durante a transição.

SIP-I: SIP com ISUP encapsulado

Em cenários de interconexão entre operadoras, o protocolo SIP-I (SIP with encapsulated ISUP) resolve um problema específico: transportar informações de sinalização SS7/ISUP dentro de mensagens SIP. Isso é necessário quando a operadora IP interconecta com uma operadora que ainda opera SS7.

O SIP-I encapsula as mensagens ISUP (IAM, ACM, ANM, REL) dentro do body da mensagem SIP (INVITE, 183, 200 OK, BYE). Assim, as informações de sinalização SS7 são preservadas de ponta a ponta, mesmo que o transporte intermediário seja IP. Para a operadora IP, o SoftSwitch processa o SIP normalmente; o conteúdo ISUP é transparente e repassado ao destino.

Nem todo SoftSwitch suporta SIP-I nativamente. É um ponto a verificar se a operadora interconecta com redes SS7 legadas.

As fases da migração

Uma migração de TDM para IP bem executada segue quatro fases:

Fase 1: Inventário e planejamento

Levante toda a base TDM: quantos E1 estão ativos, quantos canais estão em uso no horário de pico, quais centrais TDM existem, quais endpoints (assinantes, troncos de interconexão) dependem delas. Mapeie também os contratos de interconexão: quais operadoras interconectadas aceitam SIP e quais ainda exigem TDM/SS7.

Fase 2: Deploy do SoftSwitch e media gateways

Instale o SoftSwitch IP e os media gateways. Configure o SoftSwitch com as tabelas de roteamento, billing e compliance (DETRAF, DETRAT). Conecte os media gateways aos links E1 existentes. Neste ponto, o SoftSwitch passa a rotear chamadas que o media gateway converte de TDM para SIP.

Fase 3: Migração gradual de tráfego

Comece migrando o tráfego de menor risco: rotas internas, chamadas entre assinantes próprios, tráfego de teste. Monitore CDRs, qualidade de áudio (MOS) e taxa de completamento. Quando os indicadores estiverem estáveis, migre as rotas de interconexão, uma por uma. Cada rota migrada é um link E1 que pode ser desligado.

Fase 4: Descomissionamento do TDM

Quando todo o tráfego estiver passando pelo SoftSwitch IP (diretamente via SIP ou via media gateway para os últimos endpoints TDM), as centrais TDM legadas podem ser descomissionadas. Os media gateways permanecem ativos enquanto houver endpoints TDM na rede, mas a tendência é que eles também sejam removidos conforme os últimos assinantes migrem para telefones SIP ou ATAs.

O período de coexistência

A fase mais longa e mais delicada é a coexistência. Durante semanas ou meses, a operadora opera simultaneamente nos dois mundos: TDM e IP. Isso exige atenção em dois pontos:

Billing unificado: os CDRs de chamadas que passaram pelo media gateway e os CDRs de chamadas puramente SIP precisam ser consolidados no mesmo sistema de billing. Se o billing do mundo TDM e o billing do SoftSwitch não conversam, a operadora perde visibilidade financeira durante a transição.

Roteamento consistente: as tabelas de roteamento do SoftSwitch precisam contemplar tanto rotas SIP diretas quanto rotas que passam pelo media gateway. A lógica de LCR, série e balanceado precisa funcionar independentemente de o destino ser alcançado via IP ou via conversão TDM.

Migração com o SipPulse PCRT

O SoftSwitch SipPulse PCRT suporta integração com media gateways para cenários de migração TDM-IP. A engine OpenSIPS processa SIP de forma nativa, o billing integrado consolida CDRs de chamadas SIP e chamadas convertidas de TDM, e a geração de DETRAF no formato ABR Telecom funciona independentemente da origem (IP ou TDM via gateway). O suporte a protocolos SIP sobre UDP, TCP, TLS e WSS garante compatibilidade com qualquer endpoint IP. O roteamento LCR, série e balanceado opera da mesma forma para rotas SIP diretas e rotas via media gateway. São 120+ operadoras brasileiras, muitas das quais passaram por essa exata transição de TDM para IP com o PCRT.

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Conclusão

A migração de TDM para IP não é um evento; é um processo que pode levar meses. Media gateways viabilizam a coexistência, SIP-I preserva a sinalização SS7 durante a transição, e um SoftSwitch com billing unificado garante que a operadora não perde visibilidade financeira no caminho. Se você está planejando ou no meio de uma migração, fale com a SipPulse para dimensionar o cenário de transição.

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