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CDR e tarifação no SoftSwitch: bilhetagem para operadoras

CDR registra cada chamada; a tarifação calcula o valor. Entenda como funciona a bilhetagem no SoftSwitch e a geração de DETRAF.

SipPulse - Equipe Técnica20 de maio de 20256 min de leitura
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CDR e tarifação no SoftSwitch: bilhetagem para operadoras

Cada chamada que passa por um SoftSwitch gera um CDR, Call Detail Record. Esse registro contém tudo o que aconteceu naquela chamada: quem ligou, para quem, quando começou, quando terminou, qual codec foi usado, qual rota foi escolhida e qual foi o código de desconexão. A tarifação pega esses dados e calcula quanto a chamada custou e quanto o assinante ou a operadora interconectada deve pagar. CDR e tarifação são o motor financeiro de qualquer operadora de telecomunicações, e o SoftSwitch é onde esses processos começam.

O que é um CDR

O CDR (Call Detail Record) é o bilhete da chamada. Toda vez que uma chamada é completada (ou tentada, dependendo da configuração), o SoftSwitch gera um registro com os dados da sessão. Os campos típicos de um CDR incluem:

  • Número de origem (A-number): quem originou a chamada.
  • Número de destino (B-number): para quem a chamada foi direcionada.
  • Timestamp de início: momento exato em que a chamada foi atendida.
  • Timestamp de término: momento exato em que a chamada foi desligada.
  • Duração: tempo em segundos (ou milissegundos) entre atendimento e desligamento.
  • Código de desconexão (cause code): SIP response code que indica o motivo do encerramento (200 OK, 486 Busy, 408 Timeout, etc.).
  • Codec utilizado: G.711, G.729, Opus, entre outros.
  • Rota selecionada: por qual fornecedor ou gateway a chamada foi encaminhada.
  • IP de origem e destino: endereços da sinalização SIP.

Um SoftSwitch carrier-grade não gera apenas um CDR por chamada. Em cenários B2BUA, ele pode gerar um CDR para o leg de origem (A-leg) e outro para o leg de destino (B-leg), permitindo à operadora comparar o custo de compra da rota com o valor cobrado do assinante.

Como funciona a tarifação

A tarifação é o processo que transforma o CDR em valor monetário. A fórmula básica é: pega-se a duração da chamada, aplica-se a tarifa correspondente ao destino e calcula-se o valor. Na prática, existem nuances que tornam o processo mais complexo.

O primeiro detalhe é o arredondamento. A maioria das operadoras tarifa com ceiling (arredondamento para cima): uma chamada de 1 minuto e 3 segundos é tarifada como 2 minutos, se a granularidade for de 1 minuto. Algumas operadoras tarifam por segundo, o que é mais justo para o assinante mas exige mais precisão nos CDRs.

O segundo detalhe é a tabela de tarifas. Cada destino (fixo local, fixo LDN, móvel, internacional) tem uma tarifa diferente. O SoftSwitch consulta o prefixo do número discado, identifica o destino na tabela de tarifas e aplica o valor correto. Para operadoras com múltiplos fornecedores, existem tabelas de tarifa de compra (quanto a operadora paga ao fornecedor) e tabelas de tarifa de venda (quanto a operadora cobra do assinante). A diferença entre as duas é a margem.

Billing pré-pago e pós-pago

O SoftSwitch precisa suportar dois modelos de billing:

No pré-pago, o assinante tem um saldo de crédito. Antes de conectar a chamada, o SoftSwitch consulta o saldo, calcula quanto tempo de conversação o crédito permite para aquele destino e limita a chamada a esse tempo. Se o crédito acabar durante a chamada, o SoftSwitch desconecta. O controle de crédito precisa ser em tempo real; qualquer atraso abre brecha para o assinante consumir mais do que pagou.

No pós-pago, o SoftSwitch conecta a chamada sem verificação prévia de crédito e, ao final do período (mensal, quinzenal), gera a fatura com base nos CDRs acumulados. O risco de inadimplência é da operadora, mas o processo é mais simples do ponto de vista de sinalização, porque não há interação com o sistema de crédito durante a chamada.

Na prática, a maioria das operadoras brasileiras opera com uma mistura dos dois modelos: pré-pago para assinantes residenciais e pós-pago para corporativos.

DETRAF: o acerto entre operadoras

O DETRAF (Documento de Declaração de Tráfego e de Valores de Interconexão) é o documento que operadoras STFC usam para acerto financeiro entre si. Quando um assinante da operadora A liga para um assinante da operadora B, a operadora A paga à operadora B pelo uso da rede de terminação. O DETRAF registra todas essas chamadas, com origem, destino, duração e valor, no formato padronizado pela ABR Telecom.

A geração de DETRAF não é um relatório opcional; é uma obrigação regulatória para operadoras STFC. O SoftSwitch precisa gerar esse documento automaticamente a partir dos CDRs, no formato exato que a ABR Telecom aceita. Qualquer divergência de formato ou de dados resulta em rejeição do arquivo e atraso no acerto financeiro.

Reconciliação de CDR com fornecedores

Um dos processos mais dolorosos de uma operadora é a reconciliação de CDR com fornecedores. A operadora gera seus CDRs; o fornecedor gera os dele. Em teoria, os dois deveriam bater. Na prática, divergem. Diferenças de timestamp (o relógio do SoftSwitch e do fornecedor não estão sincronizados), diferenças de duração (um desconectou antes do outro registrar o BYE), diferenças de tarifa (o fornecedor aplicou um prefixo diferente).

O SoftSwitch precisa facilitar essa reconciliação. Isso significa exportar CDRs em formatos padronizados, permitir comparação automatizada com os CDRs do fornecedor e gerar relatórios de divergência. Sem isso, a operadora depende de planilhas manuais e gasta horas toda semana conferindo linha por linha.

Como o SipPulse trata CDR e billing

O SoftSwitch SipPulse PCRT gera CDRs com todos os campos necessários para tarifação e compliance: origem, destino, duração, codec, rota, cause code, timestamps com precisão de milissegundos e identificação dos legs A e B. O billing integrado suporta pré-pago com controle de crédito em tempo real e pós-pago com geração de faturas.

A geração de DETRAF é nativa, no formato ABR Telecom, direto dos CDRs, sem necessidade de exportação manual ou conversão de formato. A reconciliação de CDR com fornecedores é facilitada por relatórios de comparação que destacam divergências de duração e valor. São 120+ operadoras brasileiras usando esse fluxo em produção diariamente.

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Conclusão

CDR é o dado bruto; tarifação é a inteligência financeira sobre esse dado. Sem CDR preciso, a tarifação erra. Sem tarifação correta, a operadora perde dinheiro. E sem DETRAF no formato certo, a operadora não acerta com as interconectadas. Se você precisa de um SoftSwitch com billing integrado e geração de DETRAF nativa, fale com a SipPulse.

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